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Você já se pegou adiando algo importante, mesmo sabendo que isso te faria bem?
Ou desistindo de um projeto logo no começo, com aquele pensamento de “eu não sou bom o suficiente”?

Talvez você tenha feito isso mais vezes do que imagina.
E não porque não queira crescer, mas porque — sem perceber — está tentando se proteger da dor.

Neste texto, quero te convidar a entender o que é a autossabotagem, como ela funciona dentro da nossa mente e como as terapias cognitivas de terceira onda (como ACT, DBT, mindfulness e autocompaixão) podem te ajudar a criar uma relação mais saudável consigo mesmo.

O que é autossabotagem?

Autossabotagem é quando agimos de forma contrária ao que realmente queremos ou precisamos.
É quando criamos barreiras internas entre nossos objetivos e nossas ações.

Por exemplo:

  • Você quer estudar, mas passa horas nas redes sociais e depois se culpa.
  • Quer começar uma atividade física, mas adia todos os dias.
  • Ou sonha em mudar de trabalho, mas se convence de que “não é o momento certo”.

No fundo, não é preguiça nem falta de força de vontade — é medo.
Medo de errar, de ser julgado, de falhar novamente.
A mente tenta nos “proteger” de possíveis dores, mas acaba nos impedindo de crescer.

É como se ela dissesse: “Se você não tentar, não vai se frustrar.”
Só que, ao nos proteger da dor, também nos impede de viver o novo.

Por que a autossabotagem acontece?

Grande parte das vezes, esses comportamentos vêm de crenças formadas há muito tempo.
Talvez você tenha aprendido que “errar é sinal de fraqueza”, ou que “só é digno de amor quem acerta sempre”.

Com o tempo, essas ideias se transformam em autocrítica e medo de falhar.
E é aí que nasce a autossabotagem: um mecanismo de defesa que tenta evitar o desconforto, mas acaba nos prendendo no mesmo lugar.

Como reconhecer seus padrões de autossabotagem

Alguns sinais comuns:

  • Procrastinar constantemente.
  • Desistir rápido quando algo dá errado.
  • Sentir culpa ao descansar.
  • Se comparar o tempo todo.
  • Desvalorizar suas conquistas.

💬 Exemplo real:
Uma paciente uma vez me disse:

“Eu sempre começo algo e paro no meio. Acho que sou indisciplinada.”

Com o tempo, ela percebeu que parar no meio era uma forma de evitar a dor de falhar no final.
Era menos doloroso desistir antes do que lidar com a possibilidade de errar.

Quando ela aprendeu a reconhecer esse medo, pôde agir com mais coragem — e menos autocrítica.

 

O olhar das terapias cognitivas de terceira onda

As terapias cognitivas de terceira onda, como a ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso), a DBT (Terapia Comportamental Dialética), o Mindfulness e a Autocompaixão, trazem uma nova forma de entender esse processo.

Elas não buscam “eliminar” pensamentos ou emoções, mas ajudar você a se relacionar de maneira diferente com o que sente.

Vamos ver como cada uma contribui para sair do ciclo da autossabotagem 👇

ACT — Aceitação e Compromisso

A ACT nos ensina que não precisamos eliminar o medo para agir.
O objetivo é viver de acordo com nossos valores, mesmo diante de pensamentos difíceis.

💬 Exemplo:
Imagine alguém que quer falar em público, mas pensa:

“Vou travar, vão achar que sou incompetente.”

Em vez de tentar afastar o medo, essa pessoa pode dizer a si mesma:

“Eu percebo que estou com medo — e ainda assim, posso agir conforme o que é importante pra mim.”

Na ACT, o foco não é se livrar das emoções, mas agir apesar delas, com gentileza e consciência.

 DBT — Aceitação e Mudança juntas

A DBT nos ensina que é possível aceitar quem somos e, ao mesmo tempo, buscar mudança.
Não é um “ou”, é um “e”.

💬 Exemplo:
Pense em alguém que se cobra demais no trabalho e vive frustrado.
Em vez de se julgar, essa pessoa pode pensar:

“Eu me sinto frustrado por não render como gostaria — e isso é compreensível. Ainda assim, posso ajustar meu ritmo e tentar de novo.”

Esse equilíbrio entre aceitação e ação reduz o sofrimento e aumenta a autoconfiança.

Mindfulness — Estar presente sem se julgar

O mindfulness é a habilidade de perceber seus pensamentos e emoções sem se prender a eles.

💬 Exemplo:
Num dia difícil, você pode notar:

“Estou ansioso agora.”
Sem tentar forçar o corpo a “melhorar”, apenas observando com curiosidade e gentileza.

Quando você permite que as emoções existam sem lutar contra elas, elas perdem a força sobre suas decisões.

Autocompaixão — O antídoto contra a autotoxicidade

A autocompaixão é o ato de tratar a si mesmo com o mesmo cuidado e compreensão que você teria com alguém que ama.

💬 Exemplo:
Em vez de pensar “sou um fracasso”, você pode dizer:

“Eu errei, e está tudo bem. Posso aprender com isso.”

Ser autocompassivo não é “passar a mão na cabeça” — é dar a si mesmo o suporte emocional necessário para continuar tentando.
É isso que permite crescer sem se destruir no processo.

Benefícios de desenvolver autocompaixão

Praticar autocompaixão não é apenas “ser mais gentil” — é transformar a relação com você mesmo.

Entre os principais benefícios estão:

  • Redução da autocrítica e da culpa.
  • Aumento da resiliência emocional.
  • Maior motivação e persistência diante das dificuldades.
  • Melhoria na autoestima e nas relações interpessoais.
  • Mais equilíbrio emocional para lidar com erros e frustrações.

Pessoas autocompassivas não desistem com facilidade, porque entendem que o erro faz parte do aprendizado — e isso as torna mais fortes.

Como começar a mudar essa relação

Não é preciso eliminar o medo para mudar.
A transformação começa quando você muda a forma como se relaciona com seus pensamentos e emoções.

Aqui vão alguns caminhos práticos:

1️ Observe sem julgar

Quando notar um pensamento como “não sou capaz”, acrescente:

“Estou tendo o pensamento de que não sou capaz.”
Isso cria distância entre você e o pensamento — e abre espaço para agir diferente.

2️ Pratique o diálogo compassivo

Pergunte-se: “O que eu diria a alguém que amo, se estivesse passando por isso?”
E diga isso para si mesmo.

3️ Valide suas emoções

Substitua o “não devia me sentir assim” por “é natural que eu me sinta assim diante do que aconteceu.”

4️ Aja de acordo com seus valores

Pergunte-se: “O que é importante pra mim agora?” — e dê um pequeno passo nessa direção, mesmo com medo.

Conclusão — Um novo jeito de cuidar de si

Quando você se sabota, não é porque quer se prejudicar.
É porque, em algum momento, aprendeu que se criticar era a forma mais segura de se proteger.

Mas há outro caminho — o da gentileza.
E esse caminho não te enfraquece; ele te sustenta.

Da próxima vez que se perceber sendo duro consigo mesmo, respire e diga:

“Eu não preciso ser perfeito pra me cuidar.”

Você merece a mesma compreensão que oferece aos outros.

 

E, se em algum momento sentir que precisa de ajuda profissional, também realizo atendimento psicológico online.

Abraços, Shana Giulian Conzatti.

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